segunda-feira, 6 de junho de 2011

Pesadelos de uma noite sem fim

Paralisado quase nem pude descrever
o terror da noite passada
Como lobos famintos atrás de uma presa
Eles chegaram inquietos

Pude ouvir seus passos lá fora
Correndo e saltando furiosos
Espreitando cada canto
Procurando uma passagem

Tranquei todas as portas e janelas
Conferi cada uma delas novamente
Mas eu tinha a certeza, eu sabia
"isso não será o bastante"

Cada grunhido me dava calafrios
Atormentava e confundia minha mente
Como se pudesse ver com os olhos deles
Sentindo meu próprio pavor

Espiei por entre as fendas na janela
Mas nada vi além de total escuridão
Apenas ouvia uma pesada respiração
E sentia seus olhos me seguindo

Pensei em apagar todas as luzes
Pra não chamar sua atenção
Mas eu sabia que desse modo não iria suportar
O desespero me dominaria


Me espremi em minha cama
Cobrindo-me por inteiro
E quase já nem podia repirar
"Por favor, vão embora" eu pensei


Eu quis gritar, mas eu tinha certeza
Que meu medo atiçaria sua fome
Eu quis abrir a porta e correr
Mas eu sabia que não havia como fugir

 
Como num terrível jogo psicologico
Eles me caçavam do lado de fora
Como um pesadelo de uma noite sem fim
Além destas frágeis paredes


Acordei com um barulho lá fora
E os primeiros raios de sol da manhã
Respirei fundo e sequei o suor do rosto
"Até a próxima madrugada", pensei...


                                              (by Tiarles Daros)

domingo, 5 de junho de 2011

Até quando?

   Sempre ouvi falar que a vida é a maior dádiva, o bem mais precioso que recebemos em nosso nascimento. Em contrapartida, também é o item mais frágil que carregamos conosco, algo único, insubstituível. Mas, o que fazer quando isso é tirado de nós? Como preencher o vazio no coração de quem fica? É difícil, muito. Pessoas que amamos, que habitaram nossos corações e compartilharam em nossos dias felicidades, alegrias, sorrisos ou até mesmo lágrimas, e agora precisamos conviver com sua eterna ausência.
   Mais triste ainda é saber que a vida de alguém nos foi usurpada, sim, arrancada de nós como se tivessem o direito e o poder de decidir o destino de cada um de nós. A mais de vinte anos Renato Russo cantou: "nos deram espelhos e vimos um mundo doente", e apesar de tanto tempo, isso jamais ecoou tão forte em nosso peito como nos dias de hoje. Vivemos em um mundo ignorante, onde o sangue dos inocentes é derramado todos os dias por pessoas frias e sem escrúpulos que pensam poder resolver tudo com violência injustificada, um mundo que parece nunca ser o bastante. Até quando? E a que custo? Porque não botamos a mão na consciência e fazemos jus ao título de 'civilização'? Por quanto tempo mais precisaremos tolerar e apenas abaixar nossas cabeças, enquanto nossas vidas são usadas como peças de tabuleiro de um jogo medíocre e insano?
   Fica um sentimento de tristeza e revolta, que parece ser ridicularizado, pois dia após dia, a mesma cena com o mesmo final trágico é reprisada, deixando a estranha sensação de que uma realidade diferente está cada vez mais distante e de que nossas vidas já não valem nada, pois continuamos aqui, caminhando sob fogo cruzado, andando sobre o fio da navalha e torcendo, a cada amanhecer, que possamos acrescentar mais um dia à nossa história.
   O que nos resta é apenas ter fé e acreditar que depois daqui exista um mundo novo, onde possamos viver sem grades, sem trancas, onde violência e pessoas ignorantes não passem de lendas de uma outra vida.
                                                                                  (by Tiarles Daros)

sábado, 4 de junho de 2011

Deixo assim ficar subentendido...

    Sabe quando te faltam as palavras? Quando você precisa dizer algo, mas não consegue a expressão certa? Por mais que você tente dizer, suas palavras não saem com o mesmo impacto dos seus sentimentos. É um novo-velho problema.
    Eu sempre fico me perguntando se você entende cada gesto meu. Fico pensando se você realmente compreende quando eu tento te mostrar o que sinto, o que eu sou e o que eu desejaria ser pra você. É pena que, me parece, alguns fatos tendem a ir contra tudo isso. Será por medo, vergonha ou você apenas não consegue corresponder a isso? Eu não posso estar enganado, não dessa vez… pelo menos eu tinha tanta certeza, eu acreditava que seria possível, mas, e agora? E todos aqueles sinais? Eles não tinham significado nenhum?
    Fico pensando que todas as vezes eu terei que te reconquistar e correr atrás de você denovo e denovo e denovo… e eu faria, se soubesse que no fim conseguiria chegar aonde quero. Mas por mais que eu tente, não consigo enxergar soluções, luzes no fim do meu caminho ou um final coerente, só o que eu vejo é uma incógnita que me aflige, acredite, e muito - mas eu finjo não me importar - E o que fazer agora? Viver e te deixar viver? Esquecer que um dia eu tive - e ainda tenho - esperanças? “Porque tantas perguntas”, você me diria. Ou talvez dissesse “não espere nada de mim”…
    Gostar de alguém é mais do que simplesmente querer estar com ela, não, não é isso. Gostar de verdade significa que você, por mais que possa ser difícil, está disposto a abrir mão, porque sabe que ela talvez se sentiria mais feliz sem você, e quando se gosta de alguém de verdade, você quer somente que essa pessoa seja feliz, com ou sem você. Mas eu quero acreditar que a hora de abandonar o barco ainda não chegou.
    Ah… aqueles poucos minutos? Sim, eles valeram apena e foram alguns dos melhores que já tive. Você pode me dizer pra não esperar nada de você, mas não pode me dizer pra não tentar porque, acredite, você já fez mais por mim do que imagina ou do que você possa compreender.
    Leio e re-leio esse texto e não consigo parar de pensar que com cada palavra não estou conseguindo expressar o real impacto de tudo isso. EU não sou bom com palavras, nunca fui, pelo menos não com palavras ditas. Mas algumas coisas, e nisso eu creio, não precisam realmente serem ditas, algumas coisas estão em cada gesto, na pele, no olhar, no significado de cada detalhe.
    Aonde eu quero chegar com tudo isso? Essa é uma das coisas que não precisam ser ditas, por isso, prefiro deixar assim, subentendido…
                                                         (by Tiarles Daros)


Ele levantou sua cabeça e olhou para o céu
Uma nuvem negra era soprada pelo vento
‘Que hora é esta em que me encontro?’
Pensou consigo mesmo

O ano já não importava mais
Não havia mais presságios ou agonia
A sua volta coisas estranhas, outr’ora conhecidas.
Mas não fez questão de tentar recordar

Alguma faísca de memória cruzou sua mente
Como se saída de um raio em seus olhos
Pensou em sair dali, mas não obedeceu-se
Não tinha motivos para deixar aquele lugar

Um vento soprou em seus ouvidos
Como se cantasse uma doce melodia
Que pairava no vazio de suas lembranças
Como uma pluma a vagar pelo ar

Finalmente ergueu-se, sem absoluta pressa
Fitou o horizonte mais uma vez
Desta, porém, com alguma esperança no rosto
Olhou firme ao longe e traçou seu destino

Sorriu, como se entendido algum estranho sinal
‘Eis-me aqui! Não te apresses!’
E ainda que tivesse uma vida inteira para esperar
Os sonhos jamais se apagariam
                                  (by Tiarles Daros)
De um olhar distante, há algo tão perto
e eu olho de relance um lance de escadas
Então me perco na esquina que a sombra encobre
E caminho com o pensamento, por um breve momento
Dentre outros, sós, indiferentes

Ouço risos da euforia de outr'ora
Então eu me encontro novamente estagnado
Preso sobre meus pés, fitando aquele lugar alto
onde algum dia ousamos chegar

busco algo que se assemelhe a um vulto qualquer que me lembre
mas agora eu realmente não creio
que reste algo ainda para recordar
e no fundo mesmo eu receio
que nem mesmo algo eu possa guardar

Retorno sozinho pelo mesmo caminho
que eu refiz em pensamento
já nem me lembro quanto tempo faz
Mas nada parece haver mudado ali
                                     (by Tiarles Daros)

Tudo se perde, tudo se ganha...

    Resolvi romper o silêncio. Ha vários dias já que algumas palavras insistem em deixar o meu eu, mas, por algum motivo qualquer, estava reprimindo-as.
    Ultimamente tenho vivido entre altos e baixos, como se caminhasse no olho de um furacão, em uma constante turbulência que parece não cessar em momento algum. Não sou uma pessoa inconstante, muito pelo contrário, sei muito bem o que quero, mas as ocasiões situadas no dia-a-dia acabam desvirtuando e confundindo algumas coisas que eu tinha como certas.
    Tenho conquistado muitas coisas em minha vida nestes últimos tempos e isso me deixa aliviado, porém, o que realmente me incomoda é que com uma rapidez assutadoramente maior tenho perdido tantas outras (vem difícil, vai fáci). Não sei se isso é culpa dos anjos, acasos ou simples desencontros, afinal, tudo se perde, tudo se ganha, mas tenho a certeza - e isso eu não discuto - de que algo está faltando, aquela pecinha chata do quebra-cabeça que insiste em não encaixar, mesmo que a seus olhos, o desenho pareça estar correto.
    Nesses casos, quando me falta a solução da charada, acabo por culpar a mim mesmo, embora nem saiba ‘se’ ou ‘o que’ tenha feito de errado, pois me parece simplesmente mais fácil assumir a culpa do que tentar entender certas coisas que me parecem seriamente complicadas - em contraponto, pode ser que eu apenas, inconscientemente, não queira enxergar o óbvio, mas quem sabe…
    E é aí, meus amigos, que eu chego eu um ponto interessante: por que alguém que tenta sempre, independente da situação, fazer o seu melhor e mostrar para as pessoas quem realmente é - um cara sincero, humilde, sem máscaras, que ama as pessoas e valoriza quem merece - precisa se punir ou julgar a si mesmo por coisas que nem mesmo sabe? A incógnita que permanece é que talvez eu realmente me sinta melhor assim, preferindo culpar a mim mesmo do que culpar à alguém e tentar achar uma explicação.
    Hoje eu tenho a estranha sensação de estar perdendo alguma coisa, uma oportunidade ou algo assim, mas não sei bem o que é. Talvez faça algum sentido, but I don’t know, I don’t know…
                                                     (by Tiarles Daros)





A cabeça pesada, cansada de tentar
Neste mundo abstrato, é fato, não posso evitar
Deixo que os corações se inflamem
E deixo que o céu venha abaixo
Sobre nossas cabeças nuvens, gotas, sangue
Caindo como a chuva, mas eu não ouso
Não olho pra não chorar
Apenas sinto o que sou, o que quero ser
E por mais distante que eu possa ver
É incondicional errar
Ah! timido sol do inverno
Que pena eu sinto não te ter
Penso que apenas seu calor é eterno
Inocente, humilde, intocável viver
Se ao menos eu pudesse
Se eu me permitisse
Sei que eu faria a coisa certa
Que eu conseguiria sair dessa
E eu iria, sem medo de falhar
Iria pra nunca mais voltar
Saindo de minha própria sombra
Afinal, caminhar é o que conta
Sem rastros, medos, sem destino
Sol do inverno, te levaria comigo
Só pra esquecer o que passou
Só pra poder provar
Que eu não sei falar de amor
Eu só sei amar…
                                            (by Tiarles Daros)
Os tempos estão mudando
E eu serei libertado
Como uma pedra a rolar
Você vai me deixar solitário quando partir
Está tudo acabado agora, baby Blue
E acho que alguma coisa existe em você
Talvez uma simples guinada do destino
Mas algo está queimando, baby
E me faz sentir que tudo está quebrado
Estou vendo o verdadeiro você finalmente
E este não sou eu, garota
Mas não pense duas vezes, está tudo certo
Você não está indo a lugar algum
Então apenas essa noite vou ficar aqui com você
Pois amanhã é um longo dia
E cedo ou tarde um de nós precisava saber
Que nunca vou ser o mesmo novamente
Agora tudo que eu realmente quero fazer
Quando a noite vem caindo do céu
É andar lá fora na chuva
Antes que lágrimas de raiva acordem um furacão
Em uma estreita ligação com meu coração
Agora deite senhora, deite em meus braços
E lhe darei abrigo contra a tempestade
Me encontre pela manhã
Pois em breve estarei na estrada novamente
E partirei para além do horizonte
Vagando noite após noite
A noventa milhas por hora
Logo estarei batendo à porta do paraíso
Hey! Senhor tocador de tamborim
As coisas mudaram
                             (by Tiarles Daros)



Eu não me importo

    Depois de algum tempo colecionando ilusões, frutrações e alguns pares de decepções, finalmente cheguei à uma irremediável conclusão: estou completamente saturado, meu depósito interior encontra-se lotado e a ponto de transbordar. É a hora certa para começar a extravasar isso tudo, deixando que aos poucos cada sentimento ruim que fiquei guardando aqui dentro vá se esvaindo antes que, inevitavelmente, tudo vá pelos ares causando uma situação de proporções catastróficas.
    Muitas vezes - e possivelmente na maioria delas - acabo me rendendo e me entregando ao cansaço, às preocupações quase sempre excessivas e ao estresse diários que me acometem. Mas, esse é o preço que se paga por levar tudo tão a sério e realmente me importar com detalhes mínimos que muitos constantemente nem ao menos levam em consideração. Acho que é uma marca de minha personalidade viver tudo ao máximo e desfrutar de cada sentimento, bom ou ruim, ao extremo. Logo, posso considerar-me uma pessoa de opostos, que vai das nuvens ao fundo do poço em questão de poucos segundos, muitas vezes com quedas desastrosas, mas sempre levantando mais forte e aprendendo lições valiosas com cada acontecimento.   
    Possuo uma enorme dificuldade em desvencilhar-me do passado. Sinto como se, inconscientemente, ficasse guardando cada situação vivida no aconchego de minh’alma, para que jamais esqueça de coisas que passei ou cometa os mesmos erros novamente. É isso que, inevitavelmente, faz com que eu me sinta cada vez mais no limite e por vezes fique martirizando a mim mesmo por situações as quais eu nem ao menos poderia ter feito algo para consertar. Cada vez mais acredito que um pouco de egoísmo - neste caso, também chamado de ‘amor próprio’ - não faz mal a ninguém.
    Não obstante, decidi-me que de agora em diante deixarei o modo “eu não me importo” continuamente ativo e, sempre que for possível e a ocasião exigir, deixarei fluir meu rio interior, para que aos poucos possa esvaziar meu depósito e livrar o meu eu de todas as intempéries que se abancam já hà tempos sobre meus ombros.
                                                                  (by Tiarles Daros)

Frustração tem nome

    Acabo de descobrir porque tenho me sentido tão estranhamente frustrado e com um ânimo bastante limitado nos últimos tempos: simples e pura falta de incentivo. Isso mesmo! Sem ‘rodeios’, metáforas ou falsas comparações entusiastas, mesmo porque, o problema em questão é relativamente simples.
    Todas as vezes em que tento me engajar em um projeto novo ou em alguma ocupação para a minha mente parcialmente sobrecarregada e imensuravelmente insana acabo, ocasionalmente, esbarrando em uma absurda e sem nexo falta de apoio. Me sinto embarcando em um potente foguete com destino aos confins da imaginação, porém, no exato momento da partida, descubro que os responsáveis por abastecê-lo e mantê-lo funcionando não realizaram seu trabalho, deixando-o à deriva e, de uma forma quase literal, assassinando toda e qualquer forma livre de pensamento ou tentativa de expressar uma ideia.
    Genialidade é algo que não se compra em uma loja de departamentos e, vos digo, é para poucos. Me causa repulsa ver pessoas achando que sabem mais do que tudo e todos, pensando possuir o direito de julgar o que é correto e o que não é, punindo todos aqueles que, por serem apenas seres humanos, cometem erros que, diga-se de passagem, nem são tão absurdos assim. Logo, eu que possuo uma mente simples e limitada, como qualquer ser humano com um q.i. padrão, me reservo o direito de analisar cada palavra e frase escrita com muita cautela, pois não quero ser condenado por algo que eu nem mesmo sei.
    Já não sinto receio de expressar minhas frágeis ideias pois, sei, são apenas indagações de um cotidiano banal, vivido dia após dia por este que vos fala e, mesmo que a ira de cada deus do Olimpo venha a recair sobre minha alma, não hesitarei em ser eu mesmo - um ser limitado com um propósito muito menos audacioso do que cumprir os doze trabalhos. Sinto-me livre para extravasar cada pensamento sem me apegar a detalhes promíscuos que servem apenas para encarcerar e pôr fim a liberdade de expressão, afinal, livre arbítrio é um dom incondicional, não um direito com prazo de validade.
    Não obstante às intempéries do acaso, vou abastecer meu foguete com o combustível da persistência, dar a partida na ignição do pensamento e seguir o rumo das palavras pois, de forma alguma, estou aqui para satisfazer gregos e troianos ou, muito menos, tentar tachar a mim mesmo como o dono da razão e senhor de todas as coisas - expressões clichês, mas provindas de uma intenção indiscutivelmente original.
    “Ao fim de tudo, transformando o silêncio que até então é mudo” em mais um amontoado de palavras que insistem em expressar minhas ideias, encerro com um dizer de nosso saudoso escritor Érico Veríssimo: “A sintaxe é uma questão de uso, não de princípios. Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer escrever claro não é certo mas é claro, certo?”
                                                                      (By Tiarles Daros)

Maldito CH3CH2OH

    Estava eu recordando sobre minhas incursões, muitas vezes solitárias, pelas noites da cidade. Impressionei-me ao lembrar quantas coisas loucas, divertidas, muitas vezes inusitadas ou até mesmo estranhas acontecem por aí. Dentre elas, posso destacar sem sombra de dúvidas algumas vencedoras: ir assistir a um show que você estava louco para ver, pagar o ingresso (caro, por sinal) e acabar não vendo o show; conhecer um argentino no banheiro e depois de quinze minutos de um papo cabeça, ele rir da sua cara e dizer que não é argentino; cair na mesma pegadinha dias depois e conhecer um falso baiano; dançar até não aguentar mais; plantões hospitalares; arranjar um ‘quebra-pau’ por causa de uma mulher; perder comandas; conhecer um hobbit; ajudar uma amiga que você acabou de conhecer a fugir do ex-marido furioso e depois descobrir que não adiantou nada e ele pegou ela no dia seguinte; cantar incrivelmente mal no carro, com o som no ‘talo’ e enlouquecer todos os seus amigos; e a lista vai longe…
    “Maldito CH3CH2OH!”, pensei comigo mesmo. Quanta coisa doida as pessoas fazem por causa dele. Será que alguém já tentou ir a uma festa e sair sem tomar um único gole? Respondo essa: sim. Eu mesmo tentei, mas fracassei nos primeiros cinco minutos. Mas isso tem uma explicação lógica: eu me encaixo em um seleto grupo de pessoas que não consegue se sentir à vontade, se soltar, sem tomar um ou dois goles (veja bem, sou um cara reservado, não alcoolatra).
    O mais interessante é observar o modo distinto como cada um reage ao estímulo alcoolico: alguns viram humoristas natos, outros grandes filósofos, outros viram atores de novela mexicana - sabe aquele drama? - e alguns se transformam no “bonzão” do pedaço. Eu fico apenas um bocado corajoso. Tudo o que eu penso e não faço quando me encontro sóbrio, acabo pondo em prática após alguns ml’s de etanol. Por conta disso, a vários dias atrás, passei pela situação mais inusitada possível quando, por pura e simples zoação, depois de vários goles, resolvi dar uma cantada na moça que atendia no balcão: “me dá uma Polar e o teu telefone, por favor!”. Óbviamente, ela voltou apenas com a cerveja. Então um amigo meu muito espertinho - e ele vai lembrar disso - me deu a “incrível” idéia: “na próxima, chega pra ela e pede com que cerveja funcionaria a tua cantada”. E me fui. A resposta da moça foi um simples sorriso (forçado). Maldito CH3CH2OH!
    Poderia me estender ainda um bocado e retratar mais alguns fatos hilários - e tem gente que adoraria isso - mas por que fazer tal judiaria com minha ingênua dignidade? O fato é que, por duas ou três vezes, fiz simples jacas de pantufas e, graças ao nosso querido CH3CH2OH, transformei René Descartes em uma limpeza gastrointestinal sem precedentes (essa foi para os bons entendedores): “Bebo, logo faço besteira!”
                                                          (By Tiarles Daros)

Desabafo de Final de Ano

    Ainda hoje, deitado em minha cama e perdido em pensamentos, me peguei fazendo uma breve restrospectiva do que aconteceu com a minha pessoa no ano que se sucedeu. E, devo dizer, não foram poucos os momentos no mínimo inusitados pelos quais passei. Rolou de tudo: desemprego, emprego novo, termino de um longo namoro, seguido por momentos de tristeza, nova paixão - que não deu certo - e mais momentos delicados, brigas e por aí afora. Comecei a pensar nas inúmeras pessoas novas que conheci ao longo deste ano, já que entrei numa fase, digamos, bem social da minha vida - minha própria casa ultimamente não passa de um lugar para breves repousos - Fiquei feliz por ter conhecido muitas pessoas bacanas, com as quais firmei uma verdadeira e sincera amizade. Em contrapartida, todo ‘lado A’ tem seu ‘lado B’ - vide os dois lados de uma moeda, fitas k7, O Rappa - e também conheci pessoas falsas, medíocres, pessoas que enganam e pessoas que simplesmente não se importam com você. Devo dizer que o mínimo encanto que eu ainda guardava pelo mundo acabou se quebrando, fazendo com que este as vezes pareça uma enorme casa vazia e gélida (tudo bem, existe um certo exagero aí, não posso discordar), por vezes sem sentido.
    Não obstante, me permito e acho que realmente devo citar exemplos. Em uma das minhas aventuras mal-aventuradas (com livre e espontânea redundância) conheci uma pessoa do sexo oposto e esta se mostrou, num primeiro momento, muito simpática, madura de ideais e, me arrisco a dizer, bastante séria. Pelo menos foi no que acreditei, e me chamem de ingênuo se assim me julgarem. Por causa desta pessoa, acabei brigando com alguns amigos que eu tenho em alta estima e que, sei, também me consideram ao mesmo, senão maior nível. Estes amigos tentaram (em vão) me avisar que nem tudo era como parecia. Eu não dei ouvidos, pois “eu sabia o que estava fazendo e não queria que ninguém se metesse na minha vida”. Resultado: descobri da pior maneira que eles tinham razão e acabei me metendo numa das situações mais delicadas da minha vida, por ter sido feito de ‘palhaço’ (sem ofensa a classe) e, por minha vez, ter perdido a razão por esta causa. Não cabe entrar em detalhes a respeito desta história, mesmo porque, não estou aqui pra falar disso. Mas o exemplo é cabível ao ponto de mostrar quanta gente fria existe por aí, com atitudes mesquinhas e o quanto nos enganamos com elas e cometemos erros realmente graves por vezes.
    O que quero dizer é que estou realmente cansado. Cansado de pessoas egoístas, cansado de pessoas hipócritas, cansado de pessoas que enganam e fazem disso uma arte, cansado de mentiras e futilidades, cansado de pessoas que não se importam com o sentimento dos outros e de pessoas que não valorizam e não reconhecem quem tem real valor e caráter. As vezes me vejo vivendo em uma completa hipocrisia, onde as pessoas se abraçam e festejam juntas o “tão precioso” natal, riem e se desejam votos de felicidade no ano novo, mas que, no resto do ano, sequer se atentam em pegar o telefone e dar uma ligada para saber como tem passado o seu próximo. Vi pessoas nos festejos de fim de ano que, tenho certeza, só voltarei a ver no final do próximo ciclo solar (longos 365 dias). Porque não nos importamos menos com coisas materiais e damos mais valor pros verdadeiros sentimentos? Afinal, no fundo, não é isso que realmente importa?
    O que me serve de consolo, é saber que se todos os maiores problemas do mundo fossem iguais aos meus, nem tudo estaria realmente tão ruim assim.   
    No final das contas, quero poder encostar minha cabeça no travesseiro e saber que lá fora existe alguém que realmente se importa comigo. No ano que se aproxima, espero fazer muito mais amizades verdadeiras e cruzar cada vez menos com pessoas de má fé.
    E um bom ano pra todos nós!
                                                            (By Tiarles Daros)
Dias atrás encontrei-me perdido em devaneios enquanto a chuva caia lá fora, tão pura e constante contra a minha janela. Uma brisa despreocupada soprava entre as árvores, trazendo aquele friozinho misturado com um sentimento de solidão que algumas vezes já me parecia tão morbidamente familiar quanto o aconchego do meu próprio quarto. Peguei-me a remexer em algumas velhas lembranças que tinha escondido bem lá no fundo, pra que não pudesse encontrá-las tão facilmente. Cheguei mesmo a questionar se valia a pena reviver, mesmo que em pensamento, algumas dessas memórias, mas logo conclui que eu realmente não tinha muita escolha. Esse é mais um daqueles casos que deveria estar arquivado por não ter solução - já diria o popular, o que não tem remédio, remediado está - mas no fim das contas, aquela voz interior sempre acaba falando mais alto do que a própria razão, e eu repito pra mim mesmo: “como eu a odeio por gostar tanto dela”. Sentimento controverso é bobagem. Sim, é verdade, o coração é traiçoeiro e, me arrisco a dizer, o pior dos meus inimigos: não impõe nenhuma condição, nenhum obstáculo ou nem mesmo uma porta trancada para que quem quer que seja entre nele. Não bastasse isso, esse alguém entra e ocupa todo o espaço reservado ali e, quando sai, leva um pedaço consigo, pra que você nunca esqueça que ela esteve lá. Sempre ouvi que o tempo cura tudo. Discordo. O tempo só faz é abrandar a dor, deixar saudade e te fazer entender que apenas outro amor, esse sim, é capaz de consertar um coração partido. Certas marcas - fato - jamais conseguem ser apagadas. Então, porque tentar esquecer de alguém que foi tão especial na sua vida? Será que os momentos bons de nada valeram? Pois sim, mesmo os momentos ruins serviram para ensinar alguma coisa: que você tem um coração capaz de amar, e isso, nada pode substituir…
                                                                       (by Tiarles Daros)

O correto sobre o errado que há em mim

Talvez eu aja ou faça a escolha errada…
Talvez eu ‘quebre a cara’…
Pode ser que eu me frustre…
Ou talvez eu me entristeça por perder algo ou alguém…
Pode ser que eu chore, pode ser que eu sofra…
Mas mesmo assim terei a certeza de que:
se errei, é porque sou humano e imperfeito, mas que concerteza aprendi algo com isso;
se quebrei a cara foi porque não tive medo de tentar e ir atrás do que eu quiz;
se eu me frustrei foi porque acreditei que era possível, mesmo quando me diziam que não;
se fiquei triste é porque tenho sentimentos, e que mal há nisso?
se eu sofri ou se chorei, é porque tenho um coração, que erra, que se engana, que pode até se quebrar, é verdade, mas que é capaz de amar, de sentir, de valorizar uma amizade verdadeira, abraçar e ser abraçado, de bater descompassado apenas por pensar naquela pessoa especial…
…e por isso tudo, fico contente, pois em nenhum momento abandonei meus princípios, agi contra meus ideiais e, pricipalmente, nunca deixei de ser eu mesmo, humano e imperfeito, mas sempre tentando fazer o melhor…portanto, se errei, sofri ou chorei, foi porque vivi intensamente, e sei que se daqui a algum tempo eu olhar para trás, terei a certeza de que nenhum segundo sequer foi desperdiçado, mesmo que eu passe vários deles entregue ao sono, é porque sei que quando fecho os olhos eu posso sonhar…e ser livre!

                                                                       (by Tiarles Daros)

Entender

“Folhas verdes caem no jardim
Coisas que começam pelo fim
Como chuvas de verão
Caindo em outra estação
Aonde quer que eu vá
Um dia tudo volta para o seu lugar”
                                  (Alvin L. / Dinho Ouro Preto / Kiko Zambianchi)

Sempre que eu tento entender, eu acabo compreendendo que nada sei, e que o sentido de todas as coisas parecer estar em não haver sentido algum. Apenas tenha a certeza de que entender não é aceitar, e que quem aceita, não precisa concordar. Algum dia, e nisso eu creio, seja no fim ou no começo, aonde quer que você vá, tudo volta para o seu lugar.
                                                                       (by Tiarles Daros)

“Parei de pensar e comecei a sentir” ♫

Inevitável...

Um dia você percebe que tudo é inevitável. Um dia você percebe que a vida é uma só. Um dia você sente e vê que o tempo não para e as pessoas e todas as coisas mudam, inclusive você. Pessoas vem, pessoas vão, entrando e saindo da sua vida sem avisar e, quando você se dá conta, é tarde demais pra pensar, ou mesmo tentar entender porque nada é para sempre. Em cada encruzilhada, o destino nos empurra por caminhos tortuosos, que por vezes não compreendemos, mas, por difícil que pareça, sempre podemos acreditar que depois da próxima curva alguém nos espera de braços abertos. Resta-nos abrir o coração - derramar uma lágrima sim, e porquê não? - e sorrir a cada lembrança única do que passou, sempre guardando com carinho e saudade cada momento, pois o tempo não para, o tempo não volta atrás…
Então, “por que se preocupar por tão pouco? por que chorar, se amanhã tudo muda denovo?” (Olhos vermelhos - Dinho Ouro Preto / Alvin L)…
                                                                       (by Tiarles Daros)